terça-feira, 6 de agosto de 2013

Salto Alto




Das senzalas dos tempos modernos,

Das castidades precoces do ser menina,
Das desventuras de não ser o que se acredita belo,
De lá viemos e aqui vivemos,
Evoluindo ao passo das chicotadas, 
No compasso dos dissabores.
Na falta de água, bebendo amores,

(E como falta água por aqui)

Se diz-se que mar sereno
Nunca fez bom marinheiro,
guerreiras nós somos, 
feitas por terra em tremores.

De certo que escada ainda há pra subir,
Em busca do pôr de sol que traga a lua de nós mesmas,
Degraus desenhados com as pedras que estavam nos caminhos,
Mas aí estamos, vivendo os processos, 
cabeça agora erguida, 
de salto auto, com “u” de “propósito”
Mulecas de rua, de ringues, de lua,
Exalando doce mel sem deixar de ser cachaça que é forte e ardente,
Buscando homem, mulher ou cabra que nos acompanhe,
Fazendo arroz, bolando de três dedos e ainda girando o bambolê. 

Deborah Monteiro
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Imagem/inspiração: por Gabi Sousa

“Patriarcal eu querer que você entrasse comigo naquele debate? Eu quero alguém que saiba ser companheiro. Não me importa se é um homem, uma mulher ou uma cabra.” - Nadja Estevez

Muleca de rua e de ringue: Camila Pereira

“Faço arroz, bolo de três dedos e ainda girando o bambolê” – Mariana Calu (em resposta a um comentário machista)

sábado, 3 de agosto de 2013

Amar dói,
não amar teima em doer ainda mais,
mar que não se entra, 
já perdi o medo da água a tempos,
só não há pelo que navegar. 
Remar por remar?
Não me basta!
O porto fica sem rosto, 
o mar insosso, 
não dá... 
Mas sinto que a maré ainda vira, 
depois do ano novo.
Saravá, Yemanjá!