segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Em-corpo-oração


 
Baque pesado
Suor, destreza
 Voo ousado
 Fênix negra
Me sinto uma fera
Antes capturada
Agora em fuga
De volta à manada
Pois é, descobri
De onde vim
 Vim dali
Me reconheci
No espelho da cor
Mentiam pra mim
Mas achei um  tambor
Que guiou meus quadris
E contou quem eu sou
Livrou meus sentidos
Do medo cristão
Que venha do vento a corpo-oração.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Vidadentrodevida

Paixão... palavra que não me define, mas interpreta sozinha a maior porção do que sempre fui.
Fui menina, muito curiosa, muito atrevidinha, muito de ponta cabeça para o mundo.  Sonhava em ser palhaça, queria fazer rir. A mãe, as tias, a vó, o pai, mas, principalmente, as outras crianças me educaram. Ergueram-me ao pódio de “maluca”, honra que procuro cultivar sempre.

Sempre quis ser diferente. Não por loucura, mas pela sensatez de pensar que o que o mundo é está longe do que devia ser. Lendo e vivendo descobri que meu impulso não era novo, já atormentava outros seres humanos dos tempos antigos até agora. Uni-me então a grupos, um em especial, em que conheci garotas e garotos tão atormentados quanto eu. Entre eles, uma grande amiga que até hoje me acompanha, uma artista e arteira da vida que me faz sempre refletir sobre o que é ser mulher, do batom ao útero. Os demais ficaram por lá, para mim são memórias, boas, mas ainda memórias. De pessoas que sumiram quando a maior de todas as vidas dentro da minha estava para acontecer.

Aconteceu que engravidei aos 16. Vergonha e desespero se misturavam no liquidificador que se tornou minha mente. No peito, muita angústia, na barriga, só o enjoo. Vida dentro de vida, centímetros, quilos, vitaminas, ultrassons, pés, placenta, distribuição sanguínea e aos poucos me sentia egoísta em ter pensado um dia que poderia pensar em mim quando ele estava ali tão mais frágil, tão delicado. Resolvi deixar de lado parte do EU pra ELE nascer. Decidi e me revirei da cabeça ao quarto todo, montei os móveis em uma só tarde, sem uma ajuda com alguma coragem. Assim me fiz pronta pra qualquer guerra que fosse, fosse ter, fosse não ter. Assim tornei-me mãe de um tão sensível ser.

Ser mulher depois disso, pareceu-me até bem fácil. Está claro, escrito na testa, que no peito só entra o que for direito, quem tiver respeito e amor pra dar. Vivi alguns amores, quentes todos, mas distintos entre si.Confesso que já esperei príncipe. Na minha cachola era artista, cabelos cumpridos, signo de “peixes” e  desarrumado. Nada de cavalo branco, mas não deixava de ser príncipe, ao menos seria encantado. Paciência de esperar se esvaiu, me fiz meu próprio meio e metade, de forma que continuo amando o amor, mas só amo se for verdade. Nunca serei completa, mas sou “uma”, tenho asas e só me dou a quem se atreve a voar junto.

Junto tenho vivido muito, sonhando sem “enquadradar” futuros. Ensino e educo por que mexe comigo mexer com os outros. Hoje, são minhas pretensões / pretextos: estar na luta que é constante, infinda e linda, respirar música, devorar literatura e beber teatro. Não tenho finalidade, até por que não quero “fim”. Satisfaço-me com os processos nesses inúmeros projetos que se ligam traçando caminhos.


Caminho e só. 

domingo, 6 de outubro de 2013

Entre mitos e seres, nós dois...

Armadura, espada, sou guerra
Outras armas escondo nas saias
E se saio rodando com raios
Só preciso das rodas, as laias

Na verdade, cê sabe, meu peito
Quer, ao menos, o amor sem ataques
Se me abro em sorriso, sem jeito
É por que no teu colo desfaço
A loucura q trago por dentro
Me adentro nesse novo espaço
Onde não haja discernimento
Do que somos por dois ou três fatos

Do teu trono, cê faz que nem vê
Engraçado teu medo de mel
Canta sempre da paz e da calma
Foge tanto do que é tão real

Mas quem sabe um dia a coroa
Caia junto com a minha armadura
E amor seja única alma
Que atinja essa nossa doçura

sábado, 5 de outubro de 2013

Silêncio que canta
Idioma sem fala
Passo após passo
De fios são os laços
De fé se faz calma

Viver pelo quê?
Questiona o amigo
Ainda não sei
Só digo que sigo

Eu brindo à pergunta
Você me afaga
Dançamos com os olhos
Os sambas e os fados

De alma pra alma